terça-feira, julho 08, 2008

CHACRINHA, A MULHER DE ROXO E CENAS DO COTIDIANO – UM RECORTE SOBRE ARTE CONCEITUAL E PERFORMANCE

Luciano Freitas,
Julho 2008

Chacrinha
Não seria Chacrinha um bom ícone para definir a performance brasileira levando em conta a liberdade que contagiava o popular apresentador e seu auditório? Vocês querem bacalhau? E jogava o bacalhau para a platéia, ou o pepino, ou o abacaxi, ou .......não importava.
É o autor de expressões que se popularizaram por todo o Brasil, como "Quem não se comunica, se trumbica!", "Eu vim para confundir e não para explicar", bordões como "Terezinhaaaaaa...."
O povo o amava e não se esquece do Velho Guerreiro "balançando a pança e comandando a massa" (Gilberto Gil - Aquele Abraço).
Total sinergia entre o palco e o auditório. Delírio!!!
Aliás, Maciunas, um dos fundadores do Fluxus ( grupo internacional de vanguarda dos movimentos de arte do Sec XX) declarou em 1965 “a tarefa do artista é demonstrar que qualquer coisa pode ser arte e que qualquer pessoa pode fazê-la”.







Chacrinha

A Mulher de Roxo

Não poderíamos também considerar a Mulher de Roxo como uma artista performática baiana que vivia basicamente entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, a exemplo do atual Jaime Fygura?





O Passamento da Mulher de Roxo
Ensamblagem de Luciano Freitas publicada na Jungle Drums , Londres, Out 2006




Jayme Figura


Breve histórico


A arte conceitual nada mais é do que a utilização da idéia como arte, independente desta idéia se transformar ou não em objeto artístico. Na arte conceitual, inúmeras formas de expressão artística podem ser utilizadas pelo artista para desenvolver sua idéia. As idéias, reflexões e pensamentos são mais importantes do que o objeto de arte em si. O artista usa apenas a linguagem visual para transmitir sua idéia, mensagem.

A arte performática foi um componente importante de muitos movimentos vanguardistas do século XX, a exemplo do futurismo, do dadaísmo, do surrealismo, dentre outros.

Ao pesquisarmos a história da arte, verificamos que as discussões sobre arte conceitual nos remetem de imediato a Marcel Duchamp e outros artistas e movimentos que continuaram a existir durante a primeira metade do Século XX. A arte conceitual teve como inspiração, principalmente os ready-mades de Marcel Duchamp, objetos retirados do cotidiano das pessoas e reapresentados como objetos artísticos, privilegiando a idéia, em detrimento do objeto, já que o mesmo poderia ser facilmente encontrado na sociedade.

Para artistas, historiadores e críticos de arte, professores e alunos de história das artes, a primeira referência à performance data de 1920, quando Marcel Duchamp, um dos principais artistas do Sec. XX, deixa-se fotografar travestido em Rrose Sélavy.


Marcel Duchamp


A partir de 1950/60 cabe destaque para os happenings envolvendo diversas atividades visuais e culturais. Jonh Cage, foi um dos precursores fazendo uma música tida como ready made, mesclando sons aleatórios, ruídos e até o silêncio. Nas suas performances envolvia a arte Rauschenberg, a poesia de Olsen, o teatro de David Tudor e a dança de Cunningham.


A experimentação e associação de teatro, dança, cinema, vídeo, informática e artes visuais continua sendo fundamental para o desenvolvimento da arte performática.

Os artistas performáticos seguem levantando questões importantes da atualidade, a exemplo do racismo, guerras, homofobia, aids, além de diversos tabus sociais e culturais. A performance mescla no seu conteúdo: política, estética, entretenimento, sátira, humor.

A performance continua sendo utilizada por artistas de todo o mundo, tendo grande popularidade pela sensação de liberdade que contagia os artistas e os espectadores.

Ninguém define melhor a arte conceitual e suas atividades como Allan Kaprow, artista plástico, ensamblagista americano, quando escreveu que o artista de hoje não tem mais que dizer: eu sou um pintor, ou poeta, ou dançarino. Ele é simplesmente um artista.

E é isto que realmente constatamos, a partir do século XX com a performance, hapennings, body art e demais manifestações utilizadas no campo das artes.

E como diria Chacrinha: "Eu vim para confundir e não para explicar”.

Contextualizando a frase de Chacrinha na área das artes plásticas/visuais, nada mais é que “arte saiu da retina do espectador para a mente”, como propôs Marcel Duchamp.

E assim seguirá.



REFERÊNCIAS


Amy Dempsey – Estilos, Escolas e Movimentos / Guia Enciclopédico da Arte Moderna
Cosacnaify, 2ª impressão, 2005

Paul Wood – Arte Conceitual
Cosacnaify, 2ª impressão, 2005

Eletrônicas

www.bacalhau.com.br/chacrinha

montemor-loures.blogspot.com

www.nodo50.org/lafelguera/Fluxus.

Um comentário:

maria guimarães sampaio disse...

Vivá - vivá o velho guerreiro. Hoje viva tu e viva eu balançando nossas panças.
Mary Poppins